
Como o Hendrix, ele era Jimmi. Como Lispector, ela era Clarice. Exatamente assim, ao mesmo tempo história, com passado e presente, quiçá futuro, ao mesmo tempo gramatical e literata, como se houvesse alguma pretensão das palavras serem capazes de traduzir, em qualquer língua que fosse, o que nem os tropeços no caminho foram capazes de impedir.
É como se a intertextualidade entre essa tal História de mundo e os contos mais expressivos das Letras saísse de leituras realizadas no pretérito e tomasse forma humana, com dores, lágrimas, decepções, atitudes incógnitas até para si, alegrias, sorrisos, abraços apertados. Tudo sentido na pele, na alma, capaz de fazer o cérebro doer de tanto buscar respostas.
É inevitável pensar na História que relata traços históricos, grandes nomes que influenciaram vidas até os dias atuais, mudanças, sem que o pensamento se remeta como que automaticamente à ti. Por escolha de seus pais, carregas em sua certidão um traço que reflete em todo o mundo: seu nome. Nome que tantas vezes esta que não é a Lispector tentou apagar da memória e arrancar as lembranças, pois estas vinham carregadas de dor e sofrimento, e o simples fato de lembrar feria muito mais.
O fato é que, por algum motivo desconhecido, a desistência nunca teve espaço. Ela sabia que a alegria exacerbada podia durar um dia mais uma vez, seguido de meses de dor e tristeza, mas era como uma maldição, como se fosse necessário passar todos os meses de vazio para que aquele um valesse a pena. Claro que expectativas sempre palpitavam em sua mente com a mesma delicadeza de um trem passando. Esta incerteza do amanhã parecia uma droga, algo viciante, que a fazia ir atrás de novo, mudar estratégias, dizer verdades ou simplesmente calar.
E, desta vez, os anjos mostraram que sempre ouviram as preces. Tudo estava tão diferente. O um dia foi duplicado, triplicado, e agora já se passam semanas. Pode-se ver no seu olhar e nos seus abraços, que algo diferente está acontecendo.
Será cedo para especulações? Será a tal expectativa atropelando e atrapalhando tudo mais uma vez?
Mas não, desta vez é diferente. Estar com ele, por mais que esteja cada vez mais difícil devido às responsabilidades que agora existem na vida de ambos, era sublime, intenso, calmante. Sim, todo este paradoxo misturado deliciosamente. E se acabar de uma hora pra outra mais uma vez, ela não sabe se terá mais forças para lutar, pois desta vez está apostando todas as fichas para fazer ele feliz. E ela sabe que está conseguindo.
Muito bom!!
ResponderExcluir