"— Preciso escrever para transpor para o papel este sentimento que insiste em gritar dentro de mim.", eu pensei.
Tantas coisas no momento, essa vida adulta é mesmo bem difícil, eu deveria ter acreditado nos meus pais e aproveitado muito mais a infância.
É desesperador essa espera de um futuro, por mim eu saltava logo pro dia 10 de janeiro, preciso saber se volto ou não! Quero estar com ele, mais perto, mais junto. Ah, a saudade dele... me dói. Dói tanto, dói mesmo! Mas é uma dor que me deixa feliz, pra ser sincera. Isso mesmo. Eu explico: depois de um tempo convivendo com pessoas infelizes, que se relacionam por interesse e passam o tempo se preocupando com coisas tão fúteis, vazias, banais ... Que não olham pra dentro de si, não olham nem pra pessoa que está ao lado dela, que deixam os valores de lado, os reais motivos que te fazem querer estar com alguém, simplesmente por conveniência. Então, depois de ver tanto isso, tanta coisa ruim, eu me orgulho muito de ter um amor verdadeiro pra sentir dor de saudade. De saber que eu não preciso me transformar em outra pessoa - muito menos ele - para que possamos nos amar da forma mais linda, sincera e grandiosa. Que não importa se só temos uns trocados, os dias do fim do mês serão apreciados da mesma maneira que os dias gordos do início. É uma segurança de se quiser ligar, liga! Sem pressão, sem dúvidas de estar incomodando ou não. De morrer de saudade, de pensar em felicidade e automaticamente a imagem da pessoa gritar em sua mente! Essa liberdade de entender o outro, de confiar, isso é o que realmente me faz feliz. Eu mudo meus planos, não me importo. Adapto, corto aqui, arrumo ali. Tudo pra gente se encaixar. Se amanhã ou depois tudo desandar, é essa base construída agora que fará com que tudo se ajeite novamente. E isso é de se comemorar! Não me entrego pela metade, não o tenho pela metade. Nos temos por inteiro, com começo meio e fim. Fim juntos, coladinhos até os cabelos ficarem brancos, até termos domingos de almoço em família com filhos ao redor da mesa e netos correndo no quintal de casa num dia de sol. Utopia? Talvez. Mas é tão delicioso pensar nisso e justamente essa mania de não pensar num futuro bom é que faz as pessoas de hoje perderem esses valores que eu falei. Eu tô feliz demais, tô ansiosa também. Sei que isso causa inveja em muita gente, e não falo isso pra me achar. Sei porque eu sinto as energias negativas emitidas pelos olhares alheios quando eu dou um sorriso e meus olhos brilham. Mas minha alegria é tão intensa e verdadeira que eu essa inveja bate e volta, em forma de gentileza e amor.